IAM: 169 anos de um novo estilo de fazer missão



Para compreender plenamente o alcance educativo da Santa Infância, é necessário voltar atrás até chegar ao Carisma fundacional da Obra. Na raiz do carisma, como dom do Espírito, se encontra a força propulsora necessária para o caminho de santidade das crianças. O tempo favorável para a fundação da Infância foi o de Gregório XVI, que havia sido Prefeito da Propaganda Fide.

Na primeira metade do séc. XIX, a Europa foi atra­vessada por um vendaval de anticlericalismo que repercutia nos próprios alicerces do catolicismo, mas o Espírito reavivou a força missionária da Igreja implicando nele também as crianças. Durante o papado de Gregório XVI nasceram 53 Congregações sacerdotais, 200 Congregações Femininas abertas á missão "ad gentes", 270 associações laicais, entre as quais a Obra da Propagação da Fé, de Paulina Jaricot, e a Santa Infância.

A Obra da Santa Infância nasceu na França, em 19 de maio de 1843, depois de um longo período de reflexão durante o qual o Fundador, Mons. Charles de Forbin-Janson viveu a paixão pela salvação das crianças chinesas, destinadas, pela pobreza e a ignorância, a morrer sem receber o batismo.

O desejo do Fundador era de ir a China, onde a França tinha relações políticas e econômicas, porém se lhe pediu permanecer na França, e que anunciasse a Palavra de Deus em sua pátria. Mons. de Forbin-Janson fundou a Sociedade da Missão e se converteu em um dos mais ferventes pregadores em sua pátria e em outras partes. Cuidava muito das relações com os missionários  que haviam partido á China, e através deles chegou a conhecer a triste situação das crianças que pertenciam a famílias pobres ou em dificuldade. As crianças, apenas nasci­das, eram eliminadas, de maneira especial se eram meninas e se tinham algum defeito.

Os missionários pediam ajuda para salvar as crianças, para acolhê-las nas missões, onde eram batiza­das e educadas cristãmente. O Bispo assumiu o problema das crianças chinesas e começou uma obra de sensibilização. Falou longamente com Pauline Jaricot, que se mostrou disposta a apoiar a iniciativa. 

Desde o princípio, Mons. de Forbin-Janson encontrou muitas dificuldades para transmitir a idéia de instituir uma nova Obra Missionária, porque na França já existiam numero­sas fundações de Institutos Missionários, e podia parecer que a de Forbin-Janson fazia com­petição. Os próprios membros da Obra da Propagação da Fé se opu­seram seriamente á proposta do Bispo. Porém a novidade da instituição que se dirigia direta­mente ás crianças para as Crianças superou todas as per­plexidades.

Dado que para os adultos a China aparecia muito distante, o Bispo chamou  a atenção dos pequenos sobre a situação das crianças chinesas e lhes pediu a disponibilidade para ajudar á Igreja a salvar aos pequeninos que morriam sem receber  o batismo. 

As crianças quiseram conhecer qual seria seu compromisso e o Bispo lhes pediu: uma Ave Maria ao dia e uma oferta ao mês.

As crianças se mostraram de acordo e, com a oração, o sacrifício e os gestos de solidariedade de­ram início a uma competição de solidariedade univer­sal que continua ainda hoje salvando ás crianças de cada continente.

Nascia, da sensibilidade deste Bispo, um estilo novo de missão, que colocava no centro a graça batismal e reconhecia ás crianças o direito de recebê-la e o dever de dá-la. Desde seu nascimento, a Santa Infância, se configurou como um itinerário de Fé que, levando a missão ao coração dos pequenos, lhes fazia descobrir a alegria de servir aos irmãos. A missionariedade das crianças não era o sentido único: as orações, os sacri­fícios, a simpatia das crianças européias são correspondidos com as orações, os sacrifícios, a simpatia e, ás vezes o testemunho do martírio, das crianças chinesas. Com esta Obra, as crianças se converteriam muito cedo em sujei­tos ativos da evangelização.

O slogan "crianças ajudam crianças" realizou uma revolução copernicana no campo apostólico. Pela primeira vez os pequenos atuavam na Igreja como protagonistas de pastoral, e se demonstravam protagonistas humildes, simples, porém também cri­ativos e valentes.

Com muita desenvoltura souberam inxertar-se no fluxo da solidariedade universal, e escreveram pági­nas de amor que só o Espírito lhes podia inspirar.

A missão da IAM é nova e atrai pois o trabalho é feito pelas próprias crianças. Parabéns IAM pelos 169 anos de fundação no mundo e que venha 2013 para celebrarmos o ano da IAM no Brasil.

"De todas as crianças e adolescentes do mundo, sempre amigos”!

Pe. André Luiz de Negreiros
Secretário Nacional da Pontifícia Obra da IAM

Sugestões para o grupo:
Tema: Celebrando os 169 anos de fundação da IAM no mundo.

Objetivo: celebrar o nosso carisma de forma intensa em todo o Brasil com o olhar para o mundo.

Textos para Reflexão: Jesus meu amigo e companheiro, vem caminhar comigo
1ª. Semana: Mt 11,25 (refletir sobre a revelação de Jesus aos pequeninos)
2ª.  Semana: Mt 6,7-8 (refletir sobre a necessidade que nós temos do Papai do céu)
3ª. Semana: Mt 11,13 (refletir sobre os presentes que Deus nos dá)
4ª. Semana: Lc 11,9 (refletir sobre nossa relação com Deus)

Compromissos missionários:
a) Pesoal – Rezar um mistério do terço, a fim de entregar a Maria todas as crianças do mundo.
b)  Comunitário – Dedicar uma parte do meu tempo a qualquer pessoa que está sozinha, doente ou idosa.
c) Além-Fronteiras – Visitar uma pessoa idosa ou doente e falar do trabalho da IAM em todo o mundo.

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